terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

Utopia: Caminho de falência


Existir é um negócio interessante, estranho. Você se afirma como ser existente por pequenas constâncias  (se eu te perguntar você não vai saber responder quais são com precisão) e todo o resto é inconstância. Não sabemos quem somos, o que queremos, nossas vontades explodem dentro de nós para desaparecerem segundos depois.

Acredito que a dificuldade do homem (humanidade) em encontrar sua felicidade está em criar dentro de si a utopia da vida perfeita.  “Quando eu me formar, conseguir um bom emprego, comprar um carro e encontrar a mulher (ou homem) ideal, minha vida será perfeita”. Me conduzo constantemente ao extremo oposto e digo: NÃO VAI!

Veja: Desde a queda não há qualquer plenitude na humanidade, não há o momento em que se diga “sou completo”. Bem, na verdade, só há momentos e depois somos soterrados por vontades, anseios e mais inúmeras fomes da alma. E mesmo com a presença da divindade, o apóstolo nos assegura que o Espírito guerreia constantamente contra a carne, que se a nossa esperança toda se manifesta apenas a respeito desta vida, somos os mais infelizes de todos os homens. Não há plenitude aqui. Lewis já disse em seu “O problema do sofrimento” que nós temos saudades de um lugar que nunca conhecemos. Somos cheios de anseios, crises e repreensões a respeito de nós mesmos, atuamos o tempo inteiro diante das outras pessoas, maquiamos nossos traumas, medos, feridas, insatisfações e tentamos viver uma vida “normal” (Coisa que não existe).
Então, começamos a acreditar que nossa maquiagem são o nosso rosto de verdade, nosso personagem torna-se nós mesmos. Passamos a acreditar em nossas próprias mentiras.
Pausa. Somos indivíduos cheios de orgulho, queremos o tempo inteiro ser melhores que o outro e por isso nos afirmamos. Como nosso eu original é por demais imperfeito nós criamos esses “belíssimos” personagens.

De volta. A verdadeira perfeição só se dará futuramente, após a ressurreição (Sem discussões a esse respeito, não quero que isso vire um tratado teológico).  Esse é o anseio da nossa alma, o fim da imperfeição, e temos esse anseio porque há em nós uma essência de Deus, que nos faz, inconscientemente, ansiar essa plenitude.

Acontece que somos ansiosos, não gostamos de esperar e queremos antecipar a perfeição, queremos que ela se manifeste na nossa vida agora. Nasce assim a utopia. Queremos uma vida de flores e aventuras ao lado do nosso par ideal para depois morrermos satisfeitos por termos feito tudo o que quisemos fazer. Aqui nasce a infelicidade, quando achamos que encontraremos a satisfação num caminho sem pedras, espinhos e lama. O caminho da vida é assim. Mesmo a presença divina não nos tira dele, apenas nos ensina a caminhar.

É quando esquecemos nossas utopias, nossos ideais de felicidade, que começamos a viver de verdade. A beleza da vida encontra-se nas manifestações mais cotidianas.

Devemos nos permitir ser surpreendidos a cada momento, devemos nos empolgar com a possibilidade da descoberta, do medo, devemos tocar o sino sem saber o que este sinal trará.
Beijamos os verdadeiros milagres quando aceitamos os desafios.

2 comentários:

  1. O mais chato é tentar se livrar das utopias quando a gente tem consciencia delas.
    muito bom o texto é
    =D

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  2. Muito bom, Matheus!!

    Escrevi a respeito da felicidade e vejo que concordamos em alguns princípios. Se quiser conferir, está neste endereço: http://kasteloforte.blogspot.com/2011/01/onde-esta-felicidade.html

    Claro que o desenvolvimento do assunto é diferente, mas o propósito é o mesmo.

    Abração e continue na Paz!

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