Olha ela caída no chão
Muitos pensam que ela está morta
Mas ela ainda respira.
Olha aquela ferida no peito
Sangra, mas brilha,
É o brilho de uma alma que nunca se apaga,
Que tem vida demais,
Que transborda e extrapola de tanto viver.
Olha ela que olha o horizonte,
Tem tanta vida que fecha a ferida,
Levanta-se num salto,
E a passos de dança avança
No compasso do viver
Em busca do além do horizonte.
Para Giulia Fiorani.
domingo, 8 de julho de 2012
domingo, 24 de junho de 2012
Anseio pela cegueira
Depois de estender a roupa eu quis apagar a luz do mundo.
Num movimento fluente e espontâneo estendi a mão ao interruptor.
Toquei o vento, estranhei o movimento e me dei por mim.
E a luz estava acesa.
Era aquele sol brilhando estranhamente num pano de céu azul.
Senti-me fraco, impotente.
É que o mundo não se apaga ao meu bel prazer.
Eu não posso garantir a escuridão da minha noite.
É que essa claridade me fere.
Tantas possibilidades à luz do dia
E uma decepção para cada uma delas.
A garantia da noite feliz que me escapa.
A dor das escolha que me pesa.
Cada possibilidade que me afronta.
E eu só queria apagar a luz.
Fé?
É daquele desespero que é comum a todos.
A mim, particularmente, têm sido dado o aprendizado de que a fé é só seguir, acreditando que Deus há de conduzir tudo. Sem resposta, sem direção, sem nada.
Veja se essa Fé não possui suas raízes no desespero!?
O peso da escolha pesa nas mãos de cada um, é o meu fardo o que é enchido pelas consequências.
Mas é sempre silêncio. Sempre. É sempre frio também.
Talvez a Fé seja um composto complexo, uma espécie de sistema.
Talvez seja andar, acreditar que Ele faz sem dar respostas e construir a certeza de boas consequências.
A ausência de consequências também é puro desespero.
Entenda, minha metafísica é relacional, é necessário concretude, materialidade que irrompa da transcendência.
Talvez a Fé não seja nada.
Talvez seja apenas olhar para o alto, dar um sorriso e seguir adiante.
Talvez se faça como a rosa e seus espinhos, como o caminho solar que se põe no fim do dia.
Talvez o cotidiano arroz com feijão.
Mas não é o nada o solo de onde brotam todas as coisas?
A mim, particularmente, têm sido dado o aprendizado de que a fé é só seguir, acreditando que Deus há de conduzir tudo. Sem resposta, sem direção, sem nada.
Veja se essa Fé não possui suas raízes no desespero!?
O peso da escolha pesa nas mãos de cada um, é o meu fardo o que é enchido pelas consequências.
Mas é sempre silêncio. Sempre. É sempre frio também.
Talvez a Fé seja um composto complexo, uma espécie de sistema.
Talvez seja andar, acreditar que Ele faz sem dar respostas e construir a certeza de boas consequências.
A ausência de consequências também é puro desespero.
Entenda, minha metafísica é relacional, é necessário concretude, materialidade que irrompa da transcendência.
Talvez a Fé não seja nada.
Talvez seja apenas olhar para o alto, dar um sorriso e seguir adiante.
Talvez se faça como a rosa e seus espinhos, como o caminho solar que se põe no fim do dia.
Talvez o cotidiano arroz com feijão.
Mas não é o nada o solo de onde brotam todas as coisas?
sábado, 18 de fevereiro de 2012
CARNAVAL
É sábado. Posso ouvir o ritmo inteiro construído em meio a tanto silêncio.
Silêncio. Silêncio com cheiro de corpos, corpos vivos, desgastando uns nos outros toda sua vitalidade.
A morbidez dos meus poemas também me incomoda, não se sinta tão só nesse instante.
É a bestialidade assumida com orgulho por todos estes indivíduos à tua frente que me faz violentamente nausear.
Joga o teu corpo fora, e a tua consciência esconde num baú acorrentado no fundo dessa tua alma embriagada, abraça nesses cinco dias o teu puro sentir para, no fim, te envolveres em tuas próprias cinzas.
Bebe, te embriaga, e sem memória te suportarás no restante dos dias.
Lança-te sem destino, perde-te por inteiro.
Desejo-te sorte na tua futura jornada em busca de si.
sábado, 26 de novembro de 2011
Cansado Estranho Amor
Era com a voz desgastada que ele falava de Amor.
Falhou.
Ouvia-se muito pouco do que dizia, sequer era compreendido.
Era cansado, sonolento e com dor nas costas que ele dizia "eu te amo", de braços (cansados) quase abertos, quase como quem esmola poder dar. Tinha algo a oferecer, embora todos dissessem que não.
Era de voz cansada e com joelhos doloridos que falava desse seu estranho amor, o paradoxo pouco pedinte que de tudo precisa. Enquanto vivia de Amor, refletia essa sua estranheza e quando falava, só fazia apresentar, em grego, suas razões à periferias semi-analfabetas.
Rememora! Rememora o Amor que sentes e anamneticamente apenas sinta e seja, seja como sentes, simplesmente estranho assim, pois já se cansa, pára e precocemente envelhece o mundo, abarrotado de racionalismos enrijecentes.
Falhou.
Ouvia-se muito pouco do que dizia, sequer era compreendido.
Era cansado, sonolento e com dor nas costas que ele dizia "eu te amo", de braços (cansados) quase abertos, quase como quem esmola poder dar. Tinha algo a oferecer, embora todos dissessem que não.
Era de voz cansada e com joelhos doloridos que falava desse seu estranho amor, o paradoxo pouco pedinte que de tudo precisa. Enquanto vivia de Amor, refletia essa sua estranheza e quando falava, só fazia apresentar, em grego, suas razões à periferias semi-analfabetas.
Rememora! Rememora o Amor que sentes e anamneticamente apenas sinta e seja, seja como sentes, simplesmente estranho assim, pois já se cansa, pára e precocemente envelhece o mundo, abarrotado de racionalismos enrijecentes.
quinta-feira, 7 de abril de 2011
Sobre a Escuridão...
Hoje a morte me encara...
Todos os dias, na verdade.
Seja numa esquina, num sinal, numa janela…
Lá está ela…
Hoje, posso perder o rumo dos meus pensamentos, e viajar pro mundo de mim mesmo, onde nada faz sentido e tudo faz sofrer ou rir…
Hoje, serei mais uma vez embriagado pela noite, levado a novos lugares e mantido no meu tédio rotineiro…
Todos os dias, na verdade.
Seja numa esquina, num sinal, numa janela…
Lá está ela…
Hoje, posso perder o rumo dos meus pensamentos, e viajar pro mundo de mim mesmo, onde nada faz sentido e tudo faz sofrer ou rir…
Hoje, serei mais uma vez embriagado pela noite, levado a novos lugares e mantido no meu tédio rotineiro…
segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011
Perspectiva
Amigo, não vês que, não fosse a escuridão da noite, não admirarias o brilho da lua nem verias teu futuro nas estrelas?
Na verdade a noite é passageira como a vida e há de findar-se até que não haja mais e tudo seja eternamente claro.
Mas veja, meu caro: podes dizer que a noite é cruel pois não lhe permite olhar por si, ver o caminho e não tropeçar?
Queres opinar de acordo com a conveniência do momento.
Olhes mais uma vez para o alto e, se continuares a pensar assim, chamarás o sol de inimigo cruel, pois te impede de ser arrebatado pelo brilho eterno dos astros.
Aprende então que tudo passa, aprende a viver pelos momentos. Seja o fim agora e não algo a concluir-se amanhã.
Olhas para trás e choras. Mas te digo, irmão: ergue a cabeça, olha para o céu e confere nas estrelas teu destino já traçado: Não fossem tuas quedas passadas não terias te tornado o que és hoje.
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